Professor que criticou duramente o Partido Comunista Chinês foi preso

Lembram do artigo que foi publicado no dia três desse mês? Aquele que falava sobre a prisão completamente “aleatória” e arbitrária feita pelo governo socialista chinês contra a jornalista Zhang Zhan? Lembram que foi falado sobre um professor, Chen Zhaozhi, que foi preso em 14 de abril por ter afirmado que o COVID-19 não é um vírus chinês, mas um vírus do Partido Comunista Chinês?

Pois bem, no dia 06 de julho de 2020, o professor de Direito da Universidade de Tsinghua, Xu Zhangrun, foi preso pelo governo por um motivo completamente “aleatório” e arbitrário.

Antes de se avaliar os “porquês” de mais um ataque do governo ao seu próprio gado, ataque esse que terá mais um pano passado pela esquerda brasileira, seria bom analisar o seu histórico e adequar o contexto.

Xu Zhangrun, tem 57 anos, é professor de Jurisprudência e Direito Constitucional na Universidade de Tsinghua e investigador do Unirule Institute of Economics, possui uma história relativamente antiga de dissidência em relação ao governo do PCC. Ainda no início de 1980, enquanto fazia sua pós-graduação, servia como oficial de justiça. Todavia, por incrível que pareça, via as ações erradas e as falhas do sistema de justiça estatal chinês. Como gado bom é gado obediente e Xu não conseguia ficar calado vendo tais injustiças, decidiu sair de seu cargo. Vale aqui um adendo: nesse período, em 1986, ele investigou prisões “suspeitas” e campos de “reeducação” (O autor preferiu utilizar o termo “reeducação”, pois teme a possibilidade de “ferir os sentimentos do povo chinês” ao chamar de “campos de trabalho escravo” *puff*).

Em 2018 havia publicado um ensaio intitulado “Imminent Fear, Immediate Hopes” (tradução literal: Medo iminente, esperanças imediatas) em que ele repreendia as políticas adotadas pelo governo de Xi Jinping na época. Dentre eles, a abolição do limite de mandatos e a restauração ao culto de personalidade. Isso lembra algumas pessoas nada agradáveis da história, não é?

Zhangrun, no início de seu ensaio, havia atentado para um fato importante que os governos insistem em fingir que não existe: as pessoas, incluindo a “alta hierarquia” burocrata, estavam sentindo apreensão acerca do fato de serem constantemente vigiadas e também estavam com medo dos rumos econômicos que o desenvolvimento nacional estava tomando. O professor analisa mais profundamente que a população sentia isso, o que é algo que alguns intelectuais se recusam a enxergar, pois o governo estava quebrando quatro pontos fundamentais do povo: segurança pública, respeito à propriedade privada, a liberdade da população e o sistema de direito de posse. Nesses pontos, a conclusão é inquestionável: alguns chineses são mais libertários que a própria população média de alguns países “mais livres”, dentre eles, Banânia, ou Brasil se preferir.

Em 2019, Xu foi proibido de sair do país pela máfia enquanto que embarcava em um voo para o Japão numa viagem autorizada pela Universidade de Tsinghua. Normalmente, relacionamentos abusivos começam com pequenas ações. Bom, essa foi uma delas.

Em 2020, Xu publicou o trabalho “Viral Alarm: When Fury Overcomes Fear” (Tradução literal: Alarme Viral: Quando a fúria sobrepõe o medo) em que, mais uma vez, publicamente, um cidadão repreende o governo do PCC por sua atuação pífia e lastimável no manejo do vírus. Nesse trabalho, Xu fala sobre como o governo baniu a apresentação de informações factuais durante o surto e faz uma conexão sobre a relação entre o problema de liberdade de expressão na China e a pandemia, que é outro problema sobre o qual a OMS e “intelectuais” têm feito uma passada de pano monumental.

Sua conta no WeChat, uma espécie de Whatsapp chinês que, convenientemente, é utilizado pela China para censurar conteúdos politicamente sensíveis, foi banida junto com sua conta na Weibo, uma espécie de rede social chinesa que fornece serviços de microblogging.

Voltando para o presente, quais foram as razões abomináveis para sua prisão? Tente prender o riso, bovino. Xu foi preso sob acusação de ter, ruflem os tambores, contratado prostitutas. Explicando esse teatro de comédia feito por algum programa de qualidade extremamente duvidosa o que aconteceu é que, em maio de 2020, Xu publicou o trabalho “Chinas Lonely Boat on the Ocean of World Civilization” (tradução literal: O Barco Solitário Chinês sobre o Oceano de Civilizações Mundiais) no qual delegava ao Estado chinês alguns assuntos que, segundo Xu, deveria tratar com responsabilidade como: identificar a patologia da pneumonia (causada pelo COVID-19) e a origem do vírus, fornecer informações verídicas sobre vítimas, os motivos para as decisões tomadas pelo Governo (imagine a tristeza quando descobrir que foi baseado em “vozes na cabeça”), pedir desculpas às outras nações, soltar cidadãos jornalistas presos, entre outros…

Xu já sabia que sua prisão estava por vir e guardava algumas roupas em uma mala na sua casa para que tivesse o que vestir quando tivesse que se trocar. Bem, claro que o Rei do gado não ia deixar essa passar batido, nunca que um mero boi iria falar tanta verdade assim e sair impune. Pegou o manual de instruções do uso da força proporcional e mandou logo 20 policiais e uma dúzia de carros da quadrilha legal para prender não um grupo de assassinos, não uma guerrilha de combate, mas um professor (e apreender o computador dele).

Novamente, o povo sabe do que acontece. Locais afirmam que o governo ditatorial da China utiliza dessa piada de quinta categoria chamada “contrato de prostitutas” para prender arbitrariamente um indivíduo por desmoralizar as ações do PCC. Fato semelhante aconteceu com o investidor, Charles Xue, de 60 anos: preso em 2013 sob a acusação de contratar prostitutas. Sabemos que ele estava se tornando uma pessoa com influência, principalmente por tocar em alguns assuntos sensíveis para a política chinesa.

O assunto é batido, entretanto o óbvio precisa ser escancarado: a China é uma ameaça. Organizações “mundiais” que advogam pra si o monopólio da sabedoria e do intelecto, como a OMS e a ONU, além de antiéticos, nada mais são que grupos políticos que devem ser escrachados e ridicularizados com todo o ímpeto. Não importa se é um indivíduo teórico de esquerda ou um coletivo, máfias que cometem atrocidades como silenciamento de médicos e jornalistas, campos de concentração, assassinatos, controle de natalidade – com políticas no mínimo eugenistas – e trabalho escravo (opa, quis dizer “não consentido” hehe) nunca deveriam adquirir uma passada de pano tão limpa e magnífica como é feito em pleno século XXI.

Como disse o professor Xu em suas mensagens em fevereiro “A Epidemia de Coronavírus revelou o cerne podre do governo Chinês” e mais tarde em maio “Eu posso facilmente prever que eu estarei sujeito a novas punições. Além disso, essa pode ser a última coisa que eu escreverei.” Por isso, é importante ressaltar: máfias estatais são sempre perigosas, mas máfias muito autoritárias e repressivas, como a do Partido Comunista Chinês, são ainda piores. Fique esperto, sr. bovino gadoso, o corona não é o único vírus chinês perigoso circulando por aí. Lembre-se que o “vírus”do comunismo mata muito mais.

FONTE: ANCAP.SU (VISÃO LIBERTARIA)

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