O Pardo de Schrodinger!

Todo mundo já ouviu a afirmação de que, aqui em Banânia, negros são representados pela soma de pretos e pardos em nossa população. Mas – Surpresa! –, não é assim que o IBGE, Instituto Bovino Gadoso de Estatística, contabiliza a população negra do país. O Manual do Recenseador, o guia segundo o qual o censo é realizado, diz o seguinte:

“Caso a pessoa solicite que você explique alguma das opções de “cor ou raça” informe que o IBGE oferece definição apenas para as opções “amarela” e “parda” e leia as mesmas. Explique que “indígena” significa o mesmo que “índia” e que “parda” é a mistura de duas ou mais opções de cor ou raça, incluindo branca, preta, parda e indígena.” [1]

Ou seja, segundo o próprio IBGE, pardo é a “pessoa miscigenada”, o que inclui vários tipos de ancestralidade diferentes, como por exemplo, uma ancestralidade indígena. O Manual faz questão de ressaltar esse ponto:

“Jamais assuma que negra é preta ou parda.” [2]

A disseminação da ideia de que a população negra é composta pela soma dos pretos e pardos não chega nem a ser uma manipulação estatística, ela é, isso sim, uma mentira descarada. A esquerda tenta vender a qualquer custo que somos um país preto e branco. Isso corrobora a narrativa de que a sociedade bananense é inerentemente racista e que, por aqui, existe uma clara segregação racial. Reconhecer que a enorme miscigenação do nosso país seria confessar que houve união entre diferentes grupos étnicos ao longo da história, o que contradiz a narrativa do conflito racial.

Essa deturpação da realidade tem efeitos práticos bastante preocupantes. Um dos mais absurdos são os tribunais raciais instaurados nas universidades públicas, as chamadas “comissões de heteroidentificação”. Tribunais criados para evitar que pessoas brancas se beneficiem das cotas raciais. Ou seja, tribunais para julgar o quão branco ou negro alguém é. Mais bigodista, impossível.

O número de vagas destinado as cotas raciais é calculado com base na quantidade de pretos e pardos no estado em que uma determinada universidade está localizada. No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, o percentual de pretos e pardos é de aproximadamente 50%. Assim, metade das vagas destinadas a cotistas são destinadas às cotas raciais.

E aí surge o problema do uso enviesado das estatísticas do IBGE. Alunos miscigenados que são claros demais para serem considerados negros, mas escuros demais para serem brancos, são barrados pelos tribunais raciais. Contudo, esses mesmos alunos são contabilizados para justificar a quantidade de vagas disponíveis. É justamente nessa espécie de limbo racial onde se encontra o grosso da população bananense. População que é diretamente prejudicada por essa política discriminatória.

Dado que as vagas são limitadas, a reserva de um número delas para determinado grupo significa que as restantes se tornaram mais escassas e, por isso, mais caras. Aqueles candidatos pardos recusados pelas comissões de heteroidentificação e que não dispuseram de recursos durante sua vida para investir melhor em sua educação foram praticamente banidos do ensino superior. Isto é, ao contrário do que se propagandeia, a política de cotas raciais tornaram as universidades públicas ainda mais excludentes.

Não é de se surpreender as denúncias recorrentes de fraudes e manipulações nesses tribunais raciais responsáveis por atestar a negritude alheia [3]. A razão é óbvia. Quanto mais se inflaciona o número de vagas para cotistas, mais caro se torna ser um não cotista. O que, por sua vez, torna o custo do risco da fraude comparativamente menor, um incentivo para corrupção por parte da burocracia responsável [4] [5].

O sistema de cotas se trata de um sistema de concessão de direitos de propriedade. No caso, direito de usufruir de um ingresso mais barato à universidade. O superdimensionamento das vagas, através da manipulação das estatísticas do IBGE, acaba gerando um excedente que servirá de moeda de troca para se obter vantagens políticas ou financeiras, seja por corrupção direta, seja por manipulação para justificar mais verbas públicas. Principalmente, quando levamos em consideração que a admissão de um candidato para concorrer a uma vaga de cotista está sujeita à discricionariedade de um grupo ideológico. Grupo ideológico cuja justificativa de sua existência está diretamente atrelada a quanto maior for o número de candidatos barrados. E, por se tratar de avaliação totalmente subjetiva por parte dos membros desses tribunais raciais, se torna muito difícil provar uma acusação de manipulação ideológica.

Contudo, o caráter ideológico dessas comissões de heteroidentificação é inegável. Basta ver qualquer declarações de seus membros, como uma recente dada ao jornal O Globo:

“Quando consideramos não apto um candidato que se declara pardo, não estamos dizendo que ele não é pardo. Dizemos apenas que ele não trouxe o conjunto de caracteres fenotípicos negroides que lhe dão direito à vaga.” [6]

Ou, traduzindo para o português, esse pardo não é preto o suficiente para pintarmos de negro.

O sistema de cotas raciais é inerentemente corrupto e imoral. Os mesmos pardos usados para justificar o número de vagas disponíveis esse sistema são forçados a pagar caro por sua própria exclusão dele.

Além disso, todo sistema de cotas gera distorções de preço dos bens e serviços, como já falamos no vídeo “Deputado propõe cotas para aumento da pobreza” [7]. Aqui as distorções são análogas as que comentamos naquele vídeo.

Uma política de cotas para o ingresso na universidade é o reconhecimento de que há uma deficiência na formação escolar dos candidatos cotistas. Se não fosse assim, não seria necessária política de cotas alguma, todos estariam em pé de igualdade para disputar as vagas disponíveis. As universidades, portanto, terão que deslocar recursos para cobrir a deficiência desses novos alunos. Isso significa que a formação acadêmica se tornou mais cara sem, contudo, nenhuma vantagem comparativa em relação a formação anterior. O aumento dos gastos foi tão somente para nivelar cotistas e não cotistas. Fosse esse dinheiro deixado nas mãos da população, cada um poderia utilizá-lo segundo suas próprias necessidades, inclusive, entre outras coisas, investir numa educação melhor.

As universidades também podem caminhar no sentido contrário e nivelar para baixo suas exigências acadêmicas. E, novamente, a população é prejudicada. Agora, os bovinos gadosos pagarão o mesmo preço que pagavam antes, mas por uma formação profissional pior. Mais uma vez, o barato saiu caro.

Porém, mais do que desperdício do dinheiro roubado da população, cotas raciais são a institucionalização do racismo na máquina pública. Uma clara demonstração da perversidade disfarçada de bom-mocismo do estado.

Por quanto tempo mais toleraremos esse tipo de coisa?

FONTE: ANCAP.SU (VISÃO LIBERTARIA)

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